segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Maes e seus filhos com Cancer

Tenho pesquisado sobre várias doenças, e ela se torna ainda mais díficil  quando atinge nossos pequenos!!Vamos nestes estudados aprender sobre doenças, o tratamento e como pais e mães podem ligar com esse assunto tão díficil para todos nós.

O diagnóstico de câncer na infância contribui para reações emocionais na criança e em seus familiares, levando-os a desequilíbrios emocionais, insegurança, culpabilidade, medo e sintomas de depressão. Na grande maioria dos casos, são as mães que acompanham todo o processo de internação do filho com câncer, sendo sua participação importante para 
tratamento e recuperação da criança. Assim, o trabalho teve por objetivo analisar como as mães de crianças com câncer, que freqüentam uma instituição de apoio às crianças com câncer da cidade de João Pessoa-PB, percebem o seu nível de resiliência e a sua qualidade de vida. Tratou-se de um estudo de caráter descritivo sobre a percepção das mães de crianças com câncer acerca da sua resiliência e da sua qualidade de vida. Foram pesquisadas 14 mães de crianças com câncer, que vinham do interior do estado acompanhar o tratamento do filho na capital. 
Essas mães possuíam idades variando de 20 a 45 anos (DP=7,9), foi utilizada a versão abreviada da Escala de Qualidade de Vida da Organização Mundial de Saúde, a versão da Escala de Resiliência e um questionário bio-demográfico. Os dados oriundos das escalas de Qualidade de Vida e Resiliência foram processados pelo programa  SPSS  (Statistical Package for Social Sciences), versão 15. Na análise dos dados, foram procedidas análises descritivas (medidas de tendência central, distribuição de freqüência) com o intuito de descrição das variáveis observadas. Diante dos resultados obtidos, pode-se verificar que a maioria das mães (78,6%) possuía renda familiar de até um salário mínimo. Quanto à situação conjugal, a maioria das participantes (64,3%) possuía cônjuge. Verificou-se, ainda, que das catorze mães, 11 possuem escolaridade até o ensino  fundamental. Pôde-se verificar em relação ao nível de religiosidade, que a maioria das participantes se consideram muito ou extremamente religiosas. Ademais, a maior parte das mães apresentou um bom nível de qualidade de vida nos três domínios (físico, psicológico e social), bem como um nível satisfatório de resiliência, embora estejam vivenciando o processo de adoecimento dos filhos (as) e apresentem condições financeiras limitadas. Diante desses resultados, destaca-se que, embora o impacto do diagnóstico e do tratamento do câncer infantil influencie na dimensão física e psicológica, o papel dos familiares e amigos e também dos profissionais de saúde podem ajudar essas mães a desenvolverem estratégias de enfrentamento satisfatórias. 

INTRODUÇÃO 
A incidência de câncer tem aumentado significativamente nos últimos anos, apresentando-se como um dos maiores problemas de saúde pública mundial. De acordo com dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA), tem aumentado a taxa de mortalidade em decorrência dessa patologia, apresentando-se como a terceira maior causa de morte geral no Brasil. 
Nos registros de câncer, verifica-se que 1% a 4% desses indivíduos são crianças, sendo a leucemia o principal tipo de câncer que acomete esse grupo etário (BELTRÃO et al., 2007). O câncer infantil chega a atingir mais de cinco mil crianças e adolescentes no Brasil, apresentando mais de dois mil óbitos por ano de pessoas com idades entre 0 a 19 anos (INCA 2003).                                                                                                                                                                                                
 A doença crônica no período da infância diz respeito a problemas que interferem no funcionamento do corpo da criança, de maneira que os profissionais da área de saúde devem prestar uma integral assistência, valendo ressaltar que a doença crônica infantil tem por característica impossibilitar à criança de desempenhar muitas de suas atividades cotidianas, o que interfere no seu crescimento e desenvolvimento (NASCIMENTO, 2003). De acordo com Vieira (2001) uma doença crônica no período da infância gera um impacto muito forte, pois nessa fase se faz presente um ritmo de desenvolvimento específico dessa fase, de forma que o processo da doença bem como da hospitalização podem comprometer todo seu desenvolvimento. É importante ressaltar que esse tipo de problemática afeta não apenas o fisiológico da criança, mas também as dimensões psicológicas e sociais, pois devido a doença, a criança precisa muitas vezes, limitar-se de lazer, de contato com outros colegas, de ir à escola, entre outros transtornos (NASCIMENTO, 2003).  
O diagnóstico de um câncer na infância traz situações e repercussões específicas à condição da criança, pois como o câncer é visto como estigma de morte, do contrário, criança é significado de vida (CAVICCHIOLI, 2005). Santos (2002) aponta o diagnóstico de câncer como um momento desorganizador na vida da criança e também na vida daqueles que convivem com ela, onde se faz necessária uma atenção cuidadosa dos profissionais que intervirão nesse processo. O impacto do diagnóstico pode comprometer o tratamento da criança, isto é, reações psíquicas a essa notícia podem ser desastrosas para a criança e seus familiares, levando-os a desequilíbrios emocionais, insegurança, culpabilidade, medo e sintomas de depressão (SANTOS, 2002).  
No momento do impacto do diagnóstico, os pais de uma criança com câncer se sentem desolados diante dessa nova realidade, de maneira que tentam buscar alguma explicação para tal situação, podendo esse período perdurar por até meses, onde a doença é vista por eles como uma punição, trazendo um comprometimento no prazer de viver (SANTOS, 2002). A autora afirma a necessidade de uma equipe profissional que auxilie de forma adequada os familiares dessa criança, criando um espaço para que eles se sintam acolhidos, bem informados e motivados a enfrentar essa situação. Durante todo o tratamento, os familiares da criança com câncer precisam dessa equipe dando todo o suporte, para que os momentos difíceis de adaptação e aceitação a essa terapia sejam ultrapassados de forma menos dolorosa possível (SANTOS 2002). Além do impacto psicológico, muitas famílias de crianças com 
câncer sofrem pela falta de uma assistência mais humanizada nas instituições de saúde, pois muitos têm dificuldades financeiras, sofrem discriminações, e dessa forma pode estar comprometida a qualidade de vida desses indivíduos (SANTOS 2002). 
Na grande maioria dos casos, são as mães que acompanham todo o processo de internação do filho com câncer, sendo sua participação de total importância para o tratamento e recuperação da criança (VIANA, 2004). Através de suas pesquisas, a autora pôde verificar 
que a presença das mães para o tratamento da criança é de total importância, sendo essas crianças afetadas, caso as mães se ausentassem, o que contribuía, em alguns casos, para um maior período de internação.  

ENTREGAR NOSSAS CAUSAS  E NOSSAS AFLIÇÕES NAS MÃOS DAQUELE QUE TUDO PODE FAZ TODA A DIFERENÇA.

A religiosidade tem um papel preponderante no enfrentamento da doença pelas mães. 
Segundo Valle (1991, p.189), “o apego à religião pode ser uma forma de cercear o próprio ser e de fortalecer essa limitação do ser pelo poder da religião. Dessa maneira, algumas mães podem se sentir aliviadas da angústia pelo caminho da religião e da fé”.




PRECONCEITO MATA MAIS QUE A PRÓPRIA DOENÇA:


Um dos fatores que contribui, de forma significativa, para agravar ainda mais o estado emocional dessas mães é o preconceito, embora tenha crescido o número de pesquisas e informações acerca do câncer. Viana (2004) observou que ainda existe a falsa informação de 
que o câncer seja contagioso, podendo ser passado através do contato físico e por isso, muitas pessoas se afastam do paciente bem como dos familiares. Da mesma forma, pode-se se fazer presente o “contágio psicológico”, ou seja, há temor de que o medo, a dor e o sofrimento 
sejam contagiosos também (KOVÁCS, 1996). 

O TRATAMENTO:

O tratamento do câncer infantil é geralmente muito  agressivo e sofrido o que proporciona muitas incertezas e ameaças na criança e nos seus familiares (MOREIRA, 2007). 
Esse tipo de tratamento tem como conseqüência sentimentos de medo e perdas que acometem as mães. Oliveira (2006) observou, claramente, nas  instituições de saúde que é a mãe que acompanha seu filho doente com mais freqüência, sendo assim pode-se verificar que essa mãe também é um cliente que precisa dos cuidados dos profissionais de saúde, afinal, isso pode auxiliar na diminuição do estresse que essas mães sofrem por causa do processo da hospitalização. É necessário, durante todo o processo da doença da criança, que as mães de crianças com câncer possam ter acesso a recursos que as auxiliem a compreender tudo o que está se passando com seus filhos, pois essa real compreensão ajudará para que lidem melhor com as situações dolorosas que envolvem o tratamento oncológico (SANTOS 2002).  
É importante destacar que o ministério da Saúde afirma que não apenas o tratamento do câncer em si é importante, mas também a atenção que deve ser dada aos aspectos sociais da doença, de forma que a criança com câncer receba atenção integral, dentro do seu contexto familiar. Diante disso, é importante ressaltar que a cura não deve ser pensada apenas do ponto de vista da recuperação biológica, mas também no bem estar e na qualidade de vida do paciente (INCA 2008). 
Diante desses momentos vivenciados por essas mães Oliveira (2006) também pôde verificar através de estudos realizados em instituições públicas de saúde que devido ao estresse, cansaço e mudanças vividas no seu dia-a-dia muitas delas procuraram mecanismos para enfrentar essa situação, como a fé que depositavam em Deus, nos profissionais e também na troca de experiências que as mães compartilhavam umas com as outras, de maneira que essas mães encontravam forças para lutar apesar de todo o transtorno que experenciavam.  
O conceito de resiliência pode ser compreendido como essa capacidade para o desenvolvimento de estratégias que auxiliem no enfrentamento de situações adversas, isto é, a partir desses meios o indivíduo pode encontrar maneiras de se adaptar às situações estressoras (Laranjeira, 2007). O autor sugere que tais situações adversas dizem respeito não apenas aos aspectos fisiológicos do indivíduos, mas também às suas dimensões sociopsicólogicas, de maneira que essa adaptação às situações adversas leve a uma construção psíquica adequada à inserção social do indivíduo. 
Dentro do conceito de resiliência, também se faz presente o conceito de resiliência familiar, onde se destaca a habilidade que a família possui no que diz respeito à reorganização de papéis e regras diante da situação de se ter um  parente com uma doença crônica, de maneira que essa resiliência pode evidenciar sucesso, pois auxiliará na proteção frente à vulnerabilidade (Patterson, 2002).  

A IMPORTANCIA DA FAMÍLIA

Estudos verificaram que no momento que a criança se encontra acometido por uma doença crônica, a família tem um papel relevante no que diz respeito à adaptação dessa criança aos estressores do câncer (Teles 2005). De  acordo com Patterson (2002), o diagnóstico de uma doença como o câncer, na infância, juntamente com a tensão e o enfrentamento são vistos como um evento traumático  para a família. Diante dessas idéias, pode-se observar que uma mãe que tem um filho com câncer tende a desenvolver esses mecanismos de resiliência, podendo contribuir para um aumento no seu nível de qualidade de vida, afim de que essa situação seja bem enfrentada, de maneira que essa mãe auxilie de forma adequada esse processo adverso que o seu filho enfrenta. 
Diante do exposto, se pode observar a relevância de tal estudo, para que a partir de estudos e pesquisas, se possa atingir uma clara compreensão da maneira pela qual as mães de crianças com câncer lidam e enfrentam essa situação, pois a partir de tais resultados podem-se identificar maneiras adequadas que auxiliem todas as pessoas envolvidas nesse processo doloroso e agressivo que é o câncer infantil. Com base nesses pressupostos, o objetivo desse trabalho foi analisar como as mães de crianças com câncer percebem a sua qualidade de vida.

fonte:www.abrapso.org.br




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